Há um famoso ditado popular que ouvi milhares de vezes ao
longo da vida: “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. Não concordo
plenamente com ele. Mas posso adaptá-lo e agora sim, senti-lo muito mais
verdadeiro: “Diz-me o que lês, dir-te-ei quem és!” Somos muito mais o que lemos
do que somos as pessoas com que lidamos na nossa vida. A maneira como pensamos,
como olhamos para o mundo, a perspectiva que temos acerca dos acontecimentos da
humanidade, são estados e características que desenvolvemos através do que
lemos, ou do que não lemos. E de vez em quando, temos o privilégio de encontrar
um livro que nos faz toda a diferença, que nos muda, que nos faz crescer, que
nos faz olhar de uma maneira nova. Comigo isso aconteceu algumas vezes. Um dos
meus autores favoritos de sempre é Aldous Huxley. Cruzei-me com o Admirável
Mundo Novo há muitos anos, e mudou a minha vida. Fez reflectir sobre as
injustiças da sociedade, sobre as oportunidades e destinos traçados que vêm de
nascença e como abomino tudo isso. Comparei o condicionamento fetal no Centro
de Incubação e Condicionamento com o mundo em que vivemos e como a vida que
poderás ter é definida pelo local, tempo e família onde nasces. E este livro, e
muitos outros que se seguiram, moldaram-me e definiram a minha maneira de
pensar, a minha atitude no mundo, a minha luta pela justiça, pela igualdade,
liberdade e fraternidade.
Lamento por quem passa uma vida sem folhear um livro. Por
quem não tem o prazer de se deixar envolver por uma história, de ver na sua
cabeça a acção e as paisagens, de se rever e identificar em algum personagem,
de crescer, aprender, evoluir, com as palavras de quem sabe mais que nós, de
quem partilhou o seu tempo, energia, sabedoria para fazer os outros crescerem.
Por ti, pelo mundo em que vives, por todos nós: lê um livro!


